Nenhuma palavra serve tão bem para designar mais de uma coisa, que combinam tanto, como “Banco”. Se você pretende se dirigir à instituição financeira para realizar seus pagamentos mensais, é melhor levar o “xará”, para não cansar as pernas, pois com certeza irá demorar. Não importa a bandeira da instituição, todos são cheios de pagadores e vazios de funcionários.
Ontem foi o dia mais sui generis da minha vida, no que diz respeito a filas de banco, começando pela entrada. Logo na porta giratória, percebi que quase não havia fila, apenas um caixa aberto, atendendo o único da fila. Achei estranho, olhei para os lados, para cima, procurei reparar se não estavam assaltando o banco, porque vazio assim eu nunca tinha visto.
O caixa atendia um moto-boy com um “malotinho”. Para quem não sabe, “malotinho” é um nome bonitinho para uma pasta lotada de serviço, que poupa o seu portador de grandes xingamentos dos ocupantes da fila. “É o malotinho, é o malotinho”. Pela quantidade de boletos que aquele moto-boy trazia, acredito que pagava a dívida mundial. Quarenta minutos depois, ele ainda tirava papel de dentro da porra do malotinho.
Nisso, chega um idoso na fila. O funcionário ocioso, que coçava a pança e falava do Felipão no Palmeiras, resolveu abrir o caixa preferencial e chamar o senhor para atendimento. O moto-boy lá. Depois dele chegou outro, e o moto-boy lá. E mais outro, e o malotinho não emagrecia. Depois do sétimo senhor atendido, pulei para fila preferencial, quando começou a confusão:
-“Senhor, com licença. Aqui é fila preferência.” – Disse a atendente de campo
-“Eu sei, mas estou há mais de uma hora na fila normal, e não vejo esperanças de ser atendido tão cedo, por isso passei para essa, que anda mais ou menos.”
“Senhor.....não pode”
Eu não estava gostando de conversar com ela, principalmente porque estava me chamando de senhor, sendo que o mais jovem depois de mim naquela fila tinha oitenta e sete anos. Depois, eu não queria arrumar confusão, mas o tal do “malotinho” estava acabando comigo, quando, de repente, ela começa a tortura:
“Essa fila só é para idosos, lactantes, gestantes, pessoas com crianças de colo e portadores de deficiências. O senhor não é idoso, nem gestante, não tem criança de colo, nem deficiência. O senhor é lactante?” - Falava sem noção do que significa
Tirando as respostas de cunho sexual que passaram pela minha cabeça, as quais pretendo vos privar de tamanha violência, pensei em responder alguma coisa que me mantivesse na fila, mas não podia deixar de tirar um sarro com ela.
“Olha só. Lactante não sou mais, secou tudo. De tanto ordenharem, o leite derramou”
“Oi?” – Confusa perguntava
“Bom, nada. Lactante não sou, mas tenho direito de ficar nesta fila pois sou portador de deficiência.” Obs: E o motoboy lá.
“Portador de qual deficiência?”
“Sou míope.”
“Miopia não é deficiência” – Ela rebateu.
“É sim. Se o sujeito não anda direito é deficiente. Se não fala direito é deficiente. Se não enxergo direito, portanto sou deficiente também.”
“Posso ver os seus óculos para verificar o grau?”
Eu deixei porque estava mais para mim do que para ela na discussão e os velhinhos estavam adorando a bagunça. Nessa hora já tinham dezessete senhores na fila, todos idosos e o moto-boy lá. Venci a batalha e continuei na fila preferencial, até que duas horas depois o motoboy resolveu desocupar o caixa. Pulei imediatamente para “primeirão” da fila, olhando fixamente o chamado para atendimento, como quem aguarda o tiro de largada, quando a filhote de jumento branco me interpelou novamente:
“Senhor, essa fila é normal”
“E?”
“O senhor não é portador de deficiência? Então, a fila preferencial é aquela ao lado, a qual o senhor terá que pegar novamente”
“Desculpa mas miopia não é deficiência, é apenas imperfeição.”
Bem, em meio à essa discussão toda, vacilei fortemente e permiti que o motoboy voltasse ao caixa normal, para fazer um serviço que tinha esquecido. Não preciso dizer o que ele carregava, preciso? Bom, a única saída era arrumar outra idéia. Nisso, vejo uma senhora com o filho nos braços, e avistei minha salvação:
“A senhora quer ganhar R$ 10,00 sem fazer nada?”
“Quero. O que tem que fazer?”
“Nada, apenas deixar eu segurar o seu filho por um minuto, na sua frente.”
“Fechado”.
Assim, esperei na fila preferencial até a minha vez, quando a mãe me entregou a criança para enfim fazer jus à fila preferencial. Depois de lactante, já fui avisando que não sou gestante e que pretendia enquadramento na categoria “pessoas com crianças de colo”. Acabei pagando a conta, a mãe e não volto àquele banco nunca mais.
Hoje passei na porta, olhei para dentro, e adivinhem.....
O Motoboy lá!!!
GUILHERME BORGES 22/07/2010
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KKKKKKKKKKKKKKK... to cagando de rir aqui no trabalho!!!!!! Boa Gui! bjo
ResponderExcluirsaudoso!
Gugu. (seu primo)