Mas, desta vez tenho que confessar que me pegaram, e de jeito, portanto lhes rendo meus parabéns.
A edição da semana passada trazia na capa a matéria “O que é ser normal? – Novos estudos REVOLUCIONAM o conceito de saúde mental”. Com o perdão da palavra, "fudeu". Não tive coragem de ler a matéria e fugi da revista por uma semana, mas parece que onde eu estava, lá estava ela me falando: “me veja, me veja”.
Acabei cedendo e sentando calmamente para ler a matéria. Suava um pouco, mas falei para o “Ed”, o jacaré de botas verdes, com quem converso sempre, que seria uma boa oportunidade para provar de uma vez por todas que sou perfeitamente normal.
Espremendo a matéria, eles afirmam que as atividades cerebrais de uma pessoa variam de acordo com as circunstâncias em que vivem, portanto “nossos cérebros são distintos entre si, e ser normal ou não é relativo, não tem regra. (Ah, vá!!!). Os caras me fizeram gelar por uma semana, por um estudo que chega a conclusão que cada um é um??? Talvez por isso se chame indivíduo??? Tá louco!!.
Para coroar a magnífica tarde de enriquecimento cultural, diante de tamanha descoberta, a revista trazia ainda outra matéria de título “A Solidão que nos protege”. Como já havia passado com facilidade pelo teste de maluco, parti confiante de que não me enquadraria nos demais diagnósticos.
O Dr. Cacioppo, uns dos maiores psicólogos dos EUA defende que “Para manter um bom contato com as outras pessoas, você precisa se distanciar delas de vez em quando”. Na real, o nobre doutor ganhou uma cacetada de prêmios para chegar à mesma conclusão que o Carlos Drummond de Andrade quando disse (com muito mais beleza) que "Como as plantas a amizade não deve ser muito nem pouco regada.".
O estudo afirma que a solidão é 50% hereditária e 50% circunstancial (ah, vá!!!). O doutor aconselha que todos tenham longos períodos de solidão, mas que tomem cuidado para que isso não se torne regra.(Ah, vá!!) Olha, se é para escrever coisas óbvias, a partir de amanhã eu começo a procurar um emprego em alguma revista.
Para comprovar a maior descoberta do planeta, a matéria alicerça sua tese trazendo como exemplo o caso do ator George Cooney, em um quadrinho, dizendo: “Solteirão convicto, o ator de 50 anos, ilustra uma das teses defendidas por Cacioppo, segundo a qual não é preciso estar casado para ser feliz, inclusive existem pessoas casadas que se sentem só.”(Ah vááaáááááááááááá!!!)
No fim das contas, teve uma coisa que realmente valeu a pena ter aprendido, e me servirá de lição:
Amigo, se o negócio não tá fácil nem para o George Clooney, não vamos reclamar nunca mais.
Do normal, ou não, GUILHERME BORGES - 11/12/2011
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