
Fazia anos que não assistia um capítulo de novela, até que esta semana dediquei uma hora do meu dia para “viver a vida”. A nova novela da Rede Globo, de autoria de Manoel Carlos, me deixou realmente perplexo e curioso para entender a mensagem da trama.
O título da novela sugere uma mensagem positivista, cheia de bons fluidos, indicando que devemos valorizar nossas vidas e desfrutá-las, tanto que todos os capítulos terminam com um depoimento (trágico) de pessoas que passaram o diabo, mas se recuperaram. No entanto, a história da novela retrata uma verdadeira brincadeira de pega-pega (sem pix).
Em resumo, o esquema é o seguinte:
•Helena (Taís Araujo) quer pegar Bruno (Thiago Lacerda), mesmo sendo casada com Marcos (José Mayer), quer pegar Dora (Giovanna Antoneli)
•Dora quer ser pega por Maradona (Mário José Paez), que quer ser pego pela prima dela.
•Jorge (Mateus Solano), namora Luciana (Aline Moraes), que quer pegar e ser pega por seu irmão gêmeo Miguel (Mateus Solano), que namora Renata (Barbara Paz), que quer pegar o Felipe (Rodrigo Hilbert)
•Gustavo (Marcello Airoldi) é casado com Betina (Letícia Spiller), mas quer pegar a prima dela, Malu Trindade (Camila Morgado). Betina por sua vez, quer pegar seu companheiro de academia, Carlos (Carlos Casagrande).
•Isabel (Adriana Pirolli) pegou o namorado da Ellen (Daniele Suzuki)
Bom, pelo que notamos, vale pegar namorada do irmão, amiga da mulher, homem da prima, prima da esposa, homem das outras, enfim, toda a sorte de espoliação. Mesmo diante deste cenário, o que mais me causou surpresa foi o caso dos gêmeos. Notei que as telespectadoras torcem desesperadamente pelo Miguel (Mateus Solano), esperando ansiosas o beijo que dará em Luciana, mesmo ela sendo namorada de seu irmão. A sede por romance passa por cima do respeito, da consideração, da honestidade, da família, e do próprio limite da aceitação. Parece que “viver a vida” é aproveitar as oportunidades para enganar, ou pior, é viver uma vida equivocada, com parceiros indesejados, completamente insatisfeitos.
Que mensagem positiva esta novela pode transmitir? O que as crianças e os jovens podem tirar de vantajoso naquilo que tem a pretensão de ser o retrato da vida real? Seria uma paralisia mais triste que uma traição e uma guerra enrte irmãos, ainda gêmeos?
Por fim, Rafaela (Klara Castanho), uma criança de sete anos - e são justamente elas que me preocupam - sabe de toda a bagunça e trava uma guerra psicológica, alicerçada numa chantagem contra a personagem principal da novela. Sempre a Helena.
Tem dias que eu fico pensando na vida....
GUILHERME BORGES HILDEBRAND 07/02/2010








